sexta-feira, 6 de julho de 2012

PELÉ O REI MENINO, MADRINHA E VIZINHA FALA DO EDSON ARANTES.


O menino de Três Corações vai ser rei


POR  Marjoriê Silva

A madrinha do Rei Pelé, Maria de Lourdes, afirma que o Rei era barrigudo e feinho - Foto Wânia Corredo / Extra / Ag. O Globo
Na cidade onde as caprichosas curvas do Rio Verde desenham três corações em seu caminho sinuoso, um menino nasce para se tornar rei. Um estridente choro anuncia sua chegada. São rês horas da tarde do dia 21 de outubro de 1940 - é, Pelé só foi registrado dois dias depois -, em Três Corações (MG). As mãos grossas porém cuidadosas da parteira Amália Bitencourt trazem ao mundo Edison Arantes do Nascimento (nome erradamente escrito com i e corrigido em nova certidão).
Com cinco meses de vida, o craque tinha uma saúde perfeita. Na igreja mais antiga da cidade, o sol ilumina os vitrais que encantam com o seu colorido. É seis de abril de 1941. A pia batismal de mármore carrara está a espera do pequeno notável. A camisola branca, maior que o corpo do barrigudo do garoto, chama a atenção dos presentes.

- Ele era bem feinho quando criança. Mas não deixava de ser querido. E quando o padre colocou a água benta na cabecinha dele, só se ouvia um forte choro ecoando no lugar - conta a simpática madrinha Maria de Lourdes Nogueira, de 88 anos.

Da igreja matriz até a casa de Pelé são apenas dois quilômetros. A moradia, com um tom suave de amarelo, não muito alta e com nove janelas, nunca mais foi a mesma. O primogênito veio para alegrar a vida de Celeste e Dondinho, então jogador de futebol do Atlético. Nos 1.300 metros quadrados, três lindas e grandes jabuticabeiras enfeitam o quintal. Entre as curvas das árvores com saborosas frutas roxas, a bola de borracha não saía dos pés do ainda menino Edson.

Pelé 70 anos: Pelé (E) com os dois irmãos Maria Luiza (C) e Jair (Zoca) - Fotos Anibal Philot e Luiz Pinto / Ag O Globo
Na infância simples e sem luxo, o futuro craque brincava de pique e era um garoto comum como qualquer outro na sua idade. Dona Nedir Lemes de Sá lembra vagamente dos primeiros três anos da década de 40. Vizinha de Pelé e dois anos mais velha que ele, a senhora gentil de cabelos branquinhos conta como a criançada dominava a rua.

 Eu morava na rua de baixo. E o Pelé e seus primos sempre brincavam comigo e com os outros vizinhos. Jogávamos peteca e bola, era uma festa só - conta a senhora, que hoje mora em frente ao terreno onde será construído um museu para o jogador.

Foram apenas três anos e meio de convivência dentre os 70 anos de vida em Três Corações. São Lourenço abrigou o craque por mais um ano e meio. Até que Bauru, no interior de São Paulo, abriu os braços para recebê-lo. Assim começou a história de Pelé e seu reinado no futebol.


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